dIvagar e sempre – um blog caórdico

Blog do Rodopho Gurgel (Rodolfo Gurgel) – blogueiro amador, especialista em generalidades e, como J. Hall, “an incurable generalist […]easily distracted by problems and opportunities outside his limited expertise"

Politicos Brasileiros e Web 2.0 Nova mídias, velhos hábitos

Posted on | August 22, 2009 | No Comments

Versão ligeiramente modificada do post que foi originalmente publicada no Globo.com , Acelerando a Inovação

“We see the world through a rear-view mirror.

We march backwards into the future.”

“Nós olhamos o presente pelo espelho retrovisor.

Adentramos o futuro marchando para trás”.

Marshall McLuhan

Dizem por aí que “geek não tem casa, tem domínio”. Lá nos meus domínios, ao falar de e-gov, falei de uma palavra sexy e dos comentários de Barak Obama à página do Presidente Lula no Facebook Pois bem, este blog do Julio Vasconcellos, onde até o processo de criar o novo está acelerado, não está em domínio próprio mas hospedado em um morada de visibilidade ainda maior, eu, “blogueiroconvidado”, tenho a obrigação de ser comedido ao “postar em casa alheia”.

La nos meus domínios, ao falar de e-gov, mencionei “uma palavra sexy” assim como os comentários de Barak Obama à pagina do presidente Presidente Lula no Facebook . Aqui, aquele tom e aqueles termos não cabem, mas a idéia é a mesma: não adianta repetir, nas novas mídias, os velhos modos. Na Web 2.0, não é possível usar só um dos “componentes”, aquele que garante o fluxo da informação em direção aos ouvintes mas nunca as respostas.

Como bem observado em um artigo publicado no site da McKinsey&Company (“Transparency is the new marketing”), a transparência na comunicação está no âmago de algumas das novas ações de marketing. Mas, como já dito acima, esses mecanismos só funcionam pela plena interação dos componentes.

Para as eleições do ano que vem, repete-se o que já pôde ser observado com James Carville, “marketeiro” de Bill Clinton no passado, só que agora com todo o fervor da Obamamania: candidatos brasileiros, começam a disputar o passe e os conselhos de Ben Self e sua agência, a Blue State Digital, que cuidaram da bem sucedida estratégia de Obama para a Web.

Sendo assim, convêm lembrá-los de que um dos episódios que deu grande impulso e credibilidade à parcela virtual da campanha de Obama foi o “episódio FISA” quando, ainda senador, apesar de votado em sentido contrário ao que defendia a grande maioria dos eleitores cadastrados em seu site e organizados em uma comunidade em torno do tema, o candidato a presidente não apenas permitiu o livre debate de idéias contrárias a sua posição como também interagiu com os eleitores, explicando os motivos de seu polêmico voto. No momento atual, aquele que acessar a página do agora Presidente Obama no Facebook poderá comentar livremente seus posts e mudanças de status.

No Brasil, há a tendência oposta. O blog do Presidente Lula, cujo lançamento foi adiado por sucessivas vezes, não permitirá a inserção de comentários. Antes que os meus amigos Tucanos Em Ação respondam que José Serra twitta madrugada a dentro respondendo leitores insones, convido-os a visitar o blog do governador (o link pode ser encontrado naquele post). Lá, o espaço para comentários também está desativado.

Quando falei de levar velhos hábitos para novas mídias, estava me referindo justamente a esta tendência, tão comum entre nós, entre as mais diferentes correntes partidárias e ideológicas, de tentar ao máximo limitar e controlar o debate. Enquanto os candidatos americanos passam por inúmeros debates abertos no estilo town hall, os nossos limitam-se a escassos, curtos e artificiais debates televisivos. Uma vez eleitos, todos, inclusive o Presidente dos EUA, seja ela quem for, concede freqüentes entrevistas coletivas (W. Bush foi uma exceção, também nisso). Cá entre nós, prevalecem as “exclusivas” com perguntas controladas e combinadas e contam-se nos dedos – de uma única mão – as coletivas concedidas tanto por FHC quanto por Lula, ao longo de dois mandatos (Lula só concedeu a primeira – e única coletiva – após de dois anos e quatro meses e os jornalistas, após perguntarem, não tinham direito a réplica) .

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