Assim morreu o Pai do Snoopy (o Adeus de Charles M. Schulz)
Posted on | August 10, 2009 | 6 Comments
Ando pensando na morte. Antes que comecem a comemorar, informo que não pretendo parar de perturba-los tão cedo. É que tem uma pessoa que conheço, e com quem ando conversando com freqüência, que está pensando muito nisso. E essa pessoa quer muito conversar a respeito da morte comigo, apesar de eu não ter nenhuma experiência nesse assunto, mas também não conheço ninguém vivo que tenha.
O nó é outro.
O problema é que ele fala de tudo, para de maneira indireta tentar falar da morte. Com todas as letras, diretamente, só quando está desesperado de medo, mas ai qualquer conversa é impossível, pois não há qualquer dialogo nesse estado, só um abraço de “estou aqui, conte comigo”.
Na verdade, esta pessoa está sendo fiel ao seu estilo e sua linguagem, ao encarar a possibilidade de morrer, assim como foi “pai” do Snoopy, Charles M. Schulz. O cartunista disse adeus ao mundo na linguagem que conhecia e dominava. Ele morreu no hospital, de câncer, enquanto essa tocante tirinha de adeus (reproduzida abaixo) estava sendo impressa nos jornais do dia seguinte.
A pessoa com quem ando conversando, que conheço há tempos, nunca conseguiu falar de duas dores e temas difíceis de maneira sóbria. Não ia mudar sua linguagem agora. Há nós, cabe apenas tentar entender e ajudar. E dialogar na linguagem que for possível.
As tirinhas dele são caricaturas dadaístas. Fazer o quer?
Versão ampliada da tira (P&B e em Inglês)
Versão em Colorida e em Português
Notícia publicada no NYT em 14.02.2000
The life of Charles M. Schulz (Matéria da Economist)
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Comments
6 Responses to “Assim morreu o Pai do Snoopy (o Adeus de Charles M. Schulz)”
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August 10th, 2009 @ 18:59
Lindo o post, mas quem é a pessoa? Vc ta bem?
August 10th, 2009 @ 19:01
Rodolf,
Você tem essa capacidade de transformar dor e loucura e lindas palavras e estórias (ja falei para você tentar publicar, já me propus a ajudar você com os editores que conheço).
Eu sei quem é pessoa dessa estória e se precisar me ligue para conversar. Segurar a onda sozinho não vai ser fácil (sua irmã ainda está morando fora?).
E, agora, repito a bronca: você tem que publicar o que escreve. Cadê aquele estória infantil que você escreveu quando tava namorando aquela maluca?
Uma do meninho que queria falar e não deixavam, que tinha uma amigo imaginário verborrágico.
Como tinha acabado a bateria do seu “cachorrinho de estimação” que você chama pelo nome de uma fruta em inglês, estava escrita em guardanapos do avião e eu, intrometida como sou, li sem pedir.
Cadê?
August 10th, 2009 @ 19:30
Essa mania de falar do Snoopy é coisa de boiola!!!!!!
August 10th, 2009 @ 22:28
Concordo com o Wagner, esse cara do blog deve ser aquele chorão que ficava andando com um cobertor!
Acho que esse cara so parava de ver snoopy para ver o desenho da sherra e da menina moranguinho.
August 11th, 2009 @ 11:37
é uma qualira, um blogoiola mesmo. Poesinha sobre florzinha, a letra que o snoopy usa, coisa de qualira-baitola
August 12th, 2009 @ 12:20
Comentário originalmente publicado em 11.08.09 14:30
Concordo com a Roberta. Quem conhece o Rodolpho, sabe da sua incrível habilidade de eternizar acontecimentos através das palavras.
Eu desconhecia esses fatos e os atores envolvidos, mas esta pessoa tem sorte de tê-lo como amigo.
Como muitos, em vários momentos, já me deparei apreensivo com o longo prazo numa dessas madrugadas em que o tempo parece diminuir de ritmo.
Um dos dilemas de trabalhar 24×7 é justamente esse, a vantagem de não conseguir se aprofundar na reflexão deste tema x não estar sempre perto das pessoas que amamos.
Certa vez, li um artigo que sugeria tirarmos fotos e gravarmos todos nossos momentos, ou seja, “arquivarmos” a nossa vida para servir de apoio nos dias mais sensíveis.
Acredito que isso pode nos confortar, pois nestes momentos, apenas os amigos e a nossa bagagem nos trazem os sentimentos de “paz interior”.
Independente de tudo, a questão é seguir o conselho do nosso vice-presidente: “vencer uma batalhar por vez e nunca é tarde para viver a vida!”
O única erro é desistir!