dIvagar e sempre – um blog caórdico

Blog do Rodopho Gurgel (Rodolfo Gurgel) – blogueiro amador, especialista em generalidades e, como J. Hall, “an incurable generalist […]easily distracted by problems and opportunities outside his limited expertise"

Blog-bar : junte-se a nós (10 divagaçõe a respeito de livros)

Posted on | January 2, 2010 | No Comments

Eles chegaram, trouxeram cervejas e gente boa de papo. Em ação de pré-lançamento da Bierboxx, convidaram nove autores/blogueiros para dar “10 dicas para 2010” a respeito de determinado assunto (no meu caso, livros).  Abaixo, as dez divagações lá publicadas (post original)

“Beauty is in the eye of beer holder”

Kinky Friedma

Intolerante à lactose desde criança, não lembro de ter feito sequer um amigo enquanto bebia leite, nem mesmo os de infância.  Em compensação, o papo aqui neste blog-bar está bem animado. Junte-se a nós! Como não dá para “puxar uma cadeira”, aumente aí sua banda, pois a conversa render. Salo Maldonato escolheu as dez – primeiras – cervejas, enquanto Valdir ligava o som.  Ana trouxe dez “comidinhas”  para acompanhar as escolhas do Salo.  Eu, fiel ao estilo do dIvagaresempre, trouxe apenas essas dez dIvagações com dicas de livros para 2010 (afora a vontade de beber, comer, bater papo e dIvagarEsempre).

1. Livro eletrônico / e-book (Projeto Gutemberg, Kindle e quejandos)

Acompanho o tema há anos e, pela primeira vez, afirmo sem medo de errar: a tecnologia de livros eletrônicos (ebooks) finalmente saiu do laboratório para ganhar as ruas.  E não estou falando apenas do Kindle, que é o meu preferido.  As perguntas em torno do assunto são tantas, que decidi transformar essa dica em um página separada, a “Cassandra”, publicada na e-stante do dIvagaresempre.

2. A Invenção das Tradições -  Apesar de também gostar de vinhos, costumo gostar mais dos apreciadores de outras bebidas. A mistura do álcool oriundo daquela bebida e a erudição a respeito dele fermenta uma praga moderna: os enochatos.  Em muitos casos, esses seres erroditos conseguem, depois de um único gole, sentir e descrever a influência, o sabor e a fragrância de mais frutas que as mencionadas em um tratado inteiro de botânica, mais tipos madeira de que todos os que já foram mencionados na história da National Geographic e ingredientes nunca imaginados pelo editores do Larousse Gastronomique. Ao final, coroando tudo, costumam complementar com a história, sempre “quase milenar”, da vinícola.

Na tentativa de evitar que o mesmo aconteça com o conhecimento originado neste bierblog, ou de qualquer tipo de conhecimento, segue essa dica de livro que injeta uma dose de ceticismo a respeito das tantas tradições e seus arautos e que, oxalá, servirá para baixar a bola dos erroditos. Organizado por Eric Hobsbawn, A Invenção das Tradições demonstra, por exemplo, como muitos “rituais milenares” da monarquia inglesa foram inventados nos séculos 18 e 19.

Que a tradição a ser aqui criada não seja uma de “beerboredom” pois, parodiando Gullar, o conhecimento não foi feito para entediar ninguém.

3. Alice no País das Maravilhas  (nova tradução) - A Rainha de Copas, em Alice no Pais das Maravilhas, é sempre lembrada pelo seu bordão: “Cortem-lhe a Cabeça!”.  Mr. Wald Disney, creio eu, teve ter deixado como seu último pedido um outro, “Tinjam-lhe os cabelos! Sempre!”.  E assim, Alice virou uma inglesinha loira na cabeça de todos nós, embora Lewis Carrol, no texto do livro ou nas ilustrações originais, nunca tenha relevado a cor das madeixas da moça.f

Antecipando a euforia que será gerada pelo lançamento do filme, no início do ano que vem, a Cosac Naify reeditou a versão em português, com excelente tradução/adaptação feita por ninguém menos que Nicolau Sevcenko

4. Flicts –  Além dos quarenta anos da chegada do homem a lua,  em 2009 comemoramos também a publicação do livro que batizou a cor da lua: Flicts. A edição especial de “aniversário” do primeiro livro de Ziraldo, pai também do Menino Maluquinho, traz um bilhete de Neil Armstrong, confirmando que a lua é Flicts, e uma crônica do Drummond a respeito do Livro, escrita na época do lançamento.
Apesar de nunca ter entendido exatamente qual é o “benefício” da duvida, sou obrigado a respeitá-lo. Por isso, criei uma página, que será mantida por F.R.V.M e G.E., para os que acreditam que o aniversário da missão Apollo 11 é, na verdade, a “comemoração da maior farsa de todos os tempos”. Uns jogam pedra na lua, outros duvidam dos que trouxeram algumas das pedras de volta.  Cada doido com sua teoria.  De qualquer forma, aqui está o dos e-mbustes .

5. The Craftsman / O Artífice – A Bierbox promete trazer cervejas especiais, incluindo as  artesanais, para o Brasil. Tais trabalhos, os de natureza artesanal, são o  tema de um instigante livro do Richard Sennet publicado ainda em 2008, mas traduzido somente agora para o português.
Sennet defende que a habilidade artesanal, definida por ele como “um impulso humano básico e permanente, o desejo de um trabalho bem feito por si mesmo / a basic human impulse: the desire to do a job well for its own sake”.  Tomando como ponto de partida essa definição, mais abrangente que a tradicional, do que caracteriza o trabalho artesanal, faz interessantes análises dos “artesões de nosso tempo”, incluindo nessa turma até mesmo a comunidade de programadores que codifica o Linux e também alguns cirurgiões e advogados.
Contardo Calligaris, inspirado pelo livro, publicou um interessante artigo (O luxo e o trabalho do artesão) na Folha de São Paulo

  • Li o livro em inglês, espero que a tradução não tenha deformado a narrativa leve e bem costurada do ensaio original. A opção por “artífice” e não “artesão” como título, já não é um bom indício.

6. Wally e a barriga

Leandro Colon, repórter do Estadão (Jornal Estado De São Paulo), encontrou até os atos secretos do Senado durante o ano de 2009, e com isso conquistou um merecido Prêmio Esso de Jornalismo. Não terá dificuldade em encontrar Wally, mas primeiro precisa saber quem o cara é. Sugiro que pegue parte do prêmio e compre um livro que foi muito  popular a minha infância:  Onde está Wally
* Dica de uma fonte confiável, que teria evitado a “barrigada” escrita por ele e publicada no Estadão: Wally não é do Mato Grosso (veja abaixo).

Congresso se rende ao Twitter, novidade na política

“Desafeto de Mercadante, o petista Delcidio Amaral (MS) procurava – pelo Twitter – alguém em seu Estado, enquanto o colega discursava no Senado. “Bom dia. Mato Grosso do Sul, onde está Wally?”. Delcídio votou a favor de Sarney na quarta-feira na sessão do Conselho de Ética. Naquele dia, atacou Mercadante na internet.”

7. Leitor Apaixonado, prazeres a Luz do Abajur – Ruy Castro

Compilação de artigos do Ruy Castro a respeito de livros, autores e palavras. Não deixe de ler dois capítulos: “Penas em álcool – uma tradição de bebuns na literatura americana” (começa na pg 217, os capítulos não são numerados…) e o capítulo a respeito do Paulo Coelho (pg. 171).

8. Fordlandia: The Rise and Fall of Henry Ford’s Forgotten Jungle CityAinda não li, mas meu exemplar já está com a UPS e deve chegar antes de 2010.  Vai entrar nas leituras de final de ano. A estória é inusitada (e real), quem já leu recomenda e, segundo Maria Clara Sampaio, o historiador é rigoroso e competente. Em 2010, comentarei lá no dIvagaresempre.
Resenha do New York TimesPrimeiro capítulo – em formato PDF, pode ser baixado gratuitamente na Amazon

9. Why This World: A Biography of Clarice Lispector

É inusitado, mas a melhor biografia de Clarice Lispector já foi publicada apareceu em inglês. Ainda não terminei de ler (estou no “local” 64040-11 de 12282, “local” é o conceito de página do Kindle). Quando terminar, publicarei uma divagação lá no dIvagaresempre).

O que li até aqui já justifica a recomendação por superar, em muito, as outras duas biografias dela já publicadas: Eu sou uma pergunta: uma biografia de Clarice Lispector e Clarice: uma vida que se conta (sim, sou fanático por biografias e por Clarice).

10. Fábulas de Esopo

Essa não está na lista da Harvard Business Review, mas é leitura indispensável para os que participam do mundo corporativo. Como o autor, o tal do Esopo, morreu há mais de dois mil anos, as fábulas já “caíram em domínio público” e existem dezenas de edições diferentes. Escolha a que mais lhe agradar, contando que contenha a estória do garoto pastor e o lobo. Tire uma cópia da página e mande para turma que diz “isso é urgente” para pelo menos três tarefas e/ou emails por dia.

Dica saideira / “choro”: relendo as dicas da Ana, as minhas dIvagações, e sabendo que B. esteve ontem por aqui, segue uma “dIvagação de convergência”:  Isabel Allende: Afrodite Contos, Receitas E Outros Afrodisiacos

Primeiros nove desaniversários de casamento – um post de celebração

Posted on | November 30, 2009 | 4 Comments

Antes de Freud e suas explicações aparecerem, a referência para origem de tudo estava nos gregos.  Depois do Sigmund que tudo explica, as causas, causos e culpas passaram a ter origem na infância de cada um. Habitantes do Olimpo e redondezas, como Édipo e Narciso, passaram a fazer as vezes de metáforas explicativas.

Ainda que por mera livre associação, me identifico mais com essa segunda maneira de explicar os porquês de tudo.  A outra, é bem verdade, nem conheço direito, já que não sei sequer como terminam aquelas falas dos erroditos que começam com “o radical grego (…)”. Minha moderada concentração não agüenta os tais radicais.

Já aquelas que começam na infância são mais familiares, velhas conhecidas que cresceram em mim e comigo.  Com Alice, por exemplo, desenvolvi o hábito, hoje quase instintivo, de adentrar, sem pensar, em rotas que levam sabe-se lá para onde.  Juntando nossas curiosidades quase explosivas, eu a inglesinha curiosa entramos No País da Maravilhas, ao seguir um Coelho apressado que dizia estar atrasado para sei lá o quê.

Mas foi em Através do Espelho que ficaram garantidas eternas celebrações. Um dia por ano comemoramos os aniversários, nos 364 dias que sobram, os desaniversários. E assim, seguindo Humpty Dumpty, estão garantidas comemorações diárias, faça chuva ou faça sol.

Para aplacar várias saudades, festejo hoje muitos dos desaniversários do dia.  O mais marcante na memória, enquanto escrevo essas  d-i-vagações, são os nove primeiros dias de desaniversários de casamento de Lú e Paulinho.  Para lembrar daquela festa, publico aqui algumas coisas que falei, em um discurso que senti em voz alta, ao final da cerimônia religiosa.

Julia e Cella já haviam pedido que eu publicasse o “discurso” aqui,  coisa que acabei demorando a fazer, até por não ter uma versão final guardada. Parte improvisei na hora, parte rabisquei a lápis antes da cerimônia começar. O texto do “discurso”  de casamento que está no post, é versão que ficou guardada em minha memória que, apesar de passional e um tanto fraquinha, bem que tenta ser fiel.

D-i-vagações sentidas em voz alta no casamento de Lu e Paulo

Posted on | November 30, 2009 | 2 Comments

Boa noite, e que bom que vocês todos vieram.

Hoje temos muito o que comemorar, então serei breve. Até por estar muito emocionado e, por que, convenhamos, já é ousadia muita e suficiente um filho de cearenses discursar em terra de gente tão eloqüente, como é Pernambuco.

Para os que não me conhecem, eu sou o Rodolpho, amigo de Paulo.  Ou, melhor dizendo, sou amigo do marido da Doutora Lú. Por que é assim que se referem ao Paulo na Rua Nascimento Silva.  Não no número 107, como na música, mas no 210, onde eles foram e vão morar. E aonde, aí assim como na música,  inventaram de novo o amor.

É a celebração desse amor de novo inventado, que estamos hoje aqui a festejar e  celebrar que me deixa comovido, nesse estado de “três doses acima”.  Por enquanto, “três doses acima” apenas de emoção, daquelas doses acima em que dizem que alguns poetas vivem.

Mas eu estava a falar da reinvenção do amor e da felicidade na Rua Nascimento Silva. Amor e felicidade fizeram desaparecer aquelas olheiras crônicas  que acompanhavam Paulo desde a época que o conheci, e nisso já se foram mais de dez anos. , e lá se vai mais de uma década. Pois Lu, que é cheia de graça e de luz até no significado do nome,  como outro dia ouvi de sua mãe, consegue com que Paulinho deixe de lado até o mesmo a lente do pessimismo, que sempre trouxe consigo. Mesmo que apenas por disciplina.

E formaram um par fantástico, um encontro até no mais insólito, até nas neuroses, já que meu amigo é um homem prevenido, e prudente, também  nisso. É hipocondríaco, mas de um tipo muito particular: o preventivo. Conhece todos os novos exames, vacinas e vitaminas disponíveis na praça.

E o hipocondríaco se casar uma médica, é o encontro natural. Mas uma médica que não mesnospreza seus relatos de novas e “graves” ameaças à saúde, mas que os acolhe, com esse enorme sorriso que está sempre com ela e, com toda delicadeza, separa o que é realmente sério. Ou seja: quase nada.

Não o conheci na infância, já que é um desses grandes amigo de infância que conheci na idade adulta, mas dúviddo que fosse muito diferente. Paulo teve ter nascido prudente.  Vejam, falo de prudência, não de falta de coragem.  Quando dizia que Paulo é o sujeito mais pão duro que conheço, alguns achavam que era uma crítica, achavam isso incompatível com o fato de eu achar o sujeito, ao mesmo tempo, generoso. Nada disso.

Numa de suas inúmeras peculiaridades ele é pão duro – principalmente – com o dinheiro alheio, e também nisso é um homem generoso.  Como parte de sua sensatez, do tipo que os ingleses procuram para presidir suas seguradoras mais sólidas, usa sempre palavras moderadas e de maneira econômica. Mesmo quando absolutamente espontâneas, costumam ser medidas sílaba a sílaba, letra a letra.

E qual não foi minha feliz surpresa quando, em abril do ano passado, ao falar de uma mulher que ele havia conhecido um mês antes, em uma cerimônia de casamento como essas, ele parou de poupar, mas principalmente de medir, suas palavras(e também a intensidade e o calor delas). Passou a falar de amor e paixão de uma maneira que nunca tinha visto fazer.  Provou-se ali o conselho dado por uma sábia avó a uma amiga que, indecisa se deveria casar,  ouviu: “minha neta, minha menina, o som do sim a gente ouve”. O som do sim a gente ouve.

E eu emendo: quando vem o som do sim, não se consegue dançar ao som de mais nada.

Meses depois, recebi uma ligação em que me convidava para ser seu padrinho.  Quando nos encontramos pessoalmente nas semanas seguintes, ele falou, como se não tivéssemos todos percebido, que o “som do sim havia ressonado logo nos primeiros acordes: “desde o segundo mês de namoro eu sabia que Lu era a mulher com quem queria me casar”.

E ainda bem que foi assim, e que por isso estamos hoje aqui, pois como dizia o velho mineiro que gostava de inventar palavras, “eu quase nada sei, mas desconfio de muitas”. E uma das que coisa de que muito desconfio é que minha avó, que já não está entre nós, tinha toda razão quando dizia que “o casamento, assim como o café, deve ser servido enquanto está quente”. E também por isso estou tão feliz de estar aqui hoje.

Mas, antes de terminar, um pedido: Lu e Paulinho,multiplicai-vos, para tecer o amanhã, para que eu tenho sobrinhas para “corujar” e principalmente por que o mundo quer e precisa de gente como vocês.

A blusa no berço e Você, Você (a estória de uma canção edipiana)

Posted on | November 2, 2009 | 1 Comment

Ha, na parte paranóica de minha imaginação, há certeza de que existe uma ardilosa parceria entre companhias aéreas e livrarias de aeroporto. Tal aliança foi responsável por muitos dos livros que comprei por impulso. Sabe como é, você está ali, namorando o livro, a primeira edição de uma obra nova ou por vezes apenas uma nova edição de uma que é velha conhecida, avaliando se ela será uma boa companheira para a viagem que está por vir, quando o tempo, o maior dos alcoviteiros, dá seu ultimato.

Ontem o trabalho deles foi bem fácil. Quando chegou a hora de ir, estava não só convencido, mas também comovido. E não era para menos. A caminho do aniversário de oitenta e quatro anos do meu próprio avô, folheando um livro, descubro que Você, Você (uma canção edipiana), nasceu do olhar e sentir de um outro avô. Chico Buarque conta que, ao sair, sua filha Lelê deixava uma de suas blusas no berço do neto, para que esse, sentindo o cheiro da mãe, não sofresse com a ausência.

Link para a letra de Você, Você (uma canção Edipiana)

  • A estória está em um livro intitulado Histórias de Canções – Chico Buarque, do Wagner Homem. Conhecer essa estória, por si só, já justificou a compra, na minha perspectiva muito pessoal. Mas é preciso reconhecer que o livro se resume a alguns poucos -e curtos -”causos”, sendo o resto do espaço preenchido pela mera transcrição das letras.

No aniversário do Ilê Aiyê, o Diabo Veste Prada

Posted on | October 31, 2009 | No Comments

Lá perto das bandas de onde Mãe Menininha Gantois viveu, hoje estão comemorando o  aniversário do Ilê Aiyê. Mas mesmo longe de lá, as baianas não deixam por menos, fazendo jus a frase, que já virou clichê, de que naquele estado ninguém nasce, mas sim estréia. Nos domínios de Dona Elizabeth Segunda, onde Roxy (Rosane Ribeiro) hoje mora, a comemoração do dia é o Halloween, quando “Diabo Veste Prada”:

Mas eu gosto mesmo é de ver Roxy, e Irene, dando suas risadas.

“Deixa a mulher cozinhar!”

Posted on | October 26, 2009 | 4 Comments

Aproveito os tempos de debates teológicos, para romper o silêncio obsequioso ao qual este blog voluntariamente se recolheu.  Antes de botar os posts em dia, antecipo o lema de campanha da Dona Dilma, a mãe do PAC: “deixa a mulher cozinhar”.

Antes que as feministas me queimem numa daquelas fogueiras de sutiãs destinadas a assar porcos chauvinistas, peço que leiam até o fim.  Ao ser criticada por fazer uma romaria eleitoral sob o pretexto de fazer uma “inspeção nas obras de transposição do Rio São Franciso” a Ministra Dilma saiu-se com essa:

“É preconceito contra a mulher. Eu posso ir para a cozinha, cozinhar os projetos. Agora, na hora de servir, não posso nem ver?” link para reportagem completa

Seria a evolução natural do “Deixa o homem trabalhar”, excelente bordão publicitário, propagado por meio do jingle eleitoral reproduzido abaixo e que, durante a campanha de re-eleição, era usado como resposta a qualquer crítica aos primeiros quatro anos de Lula lá

Aos curiosos, deixo a advertência: não peçam para visitar a cozinha do PAC,  os níveis de fumaça e vapor no recinto podem ser prejudiciais à saúde.

Blog do Planalto – servidores de mais e de menos

Posted on | August 31, 2009 | No Comments

O Blog do Planalto saiu do ar no dia de estréia, leia aqui a no notícia da Folha Online.

Em post anterior, já havia alertado para a pouca familiaridade dos atuais ocupantes do Palácio do Planalto com os termos da tecnologia da informação. E-GOV, por lá, anda sendo confundido com ENGOV. Agora, quando disseram que o blog “do cara” ia explodir em número de acessos, dada sua enorme popularidade, e que para isso precisariam de muitos servidores para suportar a demanda, providenciaram esse contingente retratado abaixo. Tenho a impressão de que os técnicos tinham em mente os servidores da segunda foto, do tipo que se adquire por meio de licitações e não pela realização de concursos públicos (ou nomeações para cargos de confiança)…

equipe_blog_planalto

servidores

Blog do Planalto – primeiras impressões

Posted on | August 31, 2009 | 2 Comments


Antes de ler os apontamentos abaixo, leia este post/artigo: Politicos Brasileiros e Web 2.0 Nova mídias, velhos hábitos


Para o lançamento do PAC, o governo federal procurou criar um clima de mobilização nacional “como nunca antes visto neste país”. Como bem observou Murilo Aragão, da Arko Advice, ainda 2001, “frente às expectativas criadas, o plano é quase uma montanha que pariu um rato. Talvez, uma paca.

Ao visitar o Blog do Planalto, que teve seu lançamento atrasado para coincidir com a “festa do Pre-Sal”, fiquei com a mesma sensação (muito barulho para um resultado pífio). Por um lado, é preciso celebrar a coerência e constância nas performances já que, como escrevi em post anterior, o Blog do Planalto é um dos instrumentos, assim como a “euforia do pré sal”, para viabilizar a verdadeira meta síntese do PAC: eleger Dilma Russef (ou o candidato(a) de escolha do Presidente Lula).

Algumas notas a respeito do Blog do Planalto / Blog do Lula

  1. Como previsto, seguiu-se o padrão de novas mídias e velhos hábitos, descrito neste post aqui
    • Os mecanismos de “interatividade” previstos incluem uma enquete onde o internauta é convidado o opinar a respeito de onde devem ser aplicados os recursos do Pre-Sal. São oferecidas apenas três alternativas, como se fossem as únicas possíveis (e as áreas de segurança pública, defesa ou mesmo o pagamento de juros não são alternativas plausíveis?) * Imagem atualizada em 10/10/2009,  com resultado da enquete:*
    • resultado da enquete
  2. Não foi o que publicou a mídia brasileira, mas o blog do Presidente Obama permite, sim, a inserção de comentários e opiniões, mas os mecanismos estão pulverizados pelo site e pelas redes sociais a ele complementares (Facebook e outros)
  3. Ha um inexplicável uso do símbolo de arroba (@) para substituir tanto a vogal “a” como é usual, como para “o”, algo pouco utilizado. Parece uma tentativa mal-sucedida de parecer “moderno” e “conectado” Exemplos? “bem vind@ amig@s, familiares e companheir@s” e por ai vai…
  4. O blog é um veículo de comunicação da Presidência da República, mas não se assume como tal e tenta passar uma impressão de que está dando “furos” ou mesmo que mantém informantes que “vazariam” informações. Observe o seguinte trecho, em que o autor tenta ser engraçadinho, mas é apenas risível: “Até que se defina uma nova repartição, ficam mantidas as regras atuais de distribuição, disse ao Blog do Planalto o ‘joão-de-barro’ que costuma fazer seu ninho perto da biblioteca do Palácio da Alvorada.”
  5. Na mesma linha do comentário anterior, o blog não assume uma orientação editorial ou mesmo uma linguagem definida de maneira firme e coerente. No caso da “tensão pré-sal” é informal e acessível, já no post seguinte, ao tratar de saúde masculina, conduz o leitor a acessar uma página do Diário Oficial da União . O DOU traz um documento em linguagem técnica – e não poderia ser diferente – para explicitar as diretrizes do programa. Não há no blog qualquer explicação adicional que torne o documento compreensível ao leigo.
  6. Uma pergunta que fica no ar: por que o Blog do Planalto está hospedado na Dataprev e qual é o sentido de dar destaque a tal fato?dataprev planalto
  7. Na mesma linha da observação relativa a Dataprev, qual é o propósito de dar tamanha visibilidade à equipe que elabora o blog assim como as aos vários orgão responsáveis por sua veiculação (ver logotipos ao final da página)?
  8. Como bem observou Altino Machado “Nunca na história deste país se viu tanta gente para fazer apenas o Blog do Planalto.” Veja foto da equipe aqui:
  9. Como observeu@pedrodoria, “blog do Lula lançado blog.planalto.gov.br. Tem 3 vídeos e 14 fotos de Lula na home”

Quando a nuvem vira assunto – um meta-post

Posted on | August 31, 2009 | No Comments

A nossa nuvem em movimento (ver coluna da direita), que apareceu no horizonte das dIvagações ainda no sábado, e apesar de depender do mouse para ventar, já virou assunto de um blog que é leitura obrigatória para os interessados em design: o Contra a Clicagem Burra, escrito por Luciana Moderhaui .

A nuvem El Ninã (coluna central) ficou enciumada com o sucesso da nuvem caçula, que chegou em ritmo de furacão F6 e já virou notícia em blog que é referência na area de  design e novas mídias (CONTRA A CLICAGEM BURRA -POR LUCIANA MOHERDAUI), mas este dIvagador, blogueiro amador especialista em generalidades, agradece. Segue o link para o postDesign que Faz Ventar

design que faz ventar

Banheiro Feminino: o aplicativo do Facebook que vai “dominar o mundo"

Posted on | August 29, 2009 | 4 Comments

A turma do marketing já publicou n estudos mostrando que, para determinadas decisões de consumo e estilo de vida, as mulheres são as formadoras de opinião mais relevantes. Tenho a impressão, baseado nos levantamentos do meu instituto de confiança, o Data-Padaria, que as redes sociais são mais uma dessas escolhas.

Na verdade, é uma certeza, e não apenas uma impressão. Caso alguém tenha um estudo que chegue a conclusão diferente, peço que refaça os levantamentos, de preferência utilizando a consagrada metodologia do Data-Padaria, antes de divulgar os dados. Estudos equivocados, como são todos os que contrariam os levantamentos do Data-Padaria, servirão apenas para reforçar o velho preconceito de que as estatísticas são como biquínis: “mostram muito, mas escondem o essencial”

Como bom blogueiro amadador e generalista profissional, ligo agora minha bola de cristal e passo a comentar os dados do estudo para fundamentar, científicamente, refinados exercícios de futurologia.

1 – “Banheiro feminino virtual” fará com que Facebook monopolize o mercado de redes sociais

O Facebook já está nadando de braçada entre as internautas, aqui e alhures, por ter apostado numa velha formula do mercado editorial feminino: os “quizzes” e testes de personalidade. Como bom observador desatento e membro do conselho científico do Data-Padaria, constatei que recebo pelo menos 5 “status updates” de amigas com o resultado de algum “quiz”, para cada update semelhante de algum amigo. No caso dos homens, via de regra, o teste foi respondido por influência de – ou interesse em – alguma mulher. Digo mais: 73.4% das minhas amigas no Facebook respondem a pelo menos um quiz por semana, enquanto entre homens o percentual é de 13.54% (ver detalhes aqui).

ladies bathroom sign

Fonte: http://www.flickr.com/photos/maile/

Não tenho notícias de que Facebook esteja desenvolvendo um “banheiro feminino virtual”, onde elas poderão retocar a maquiagem, comentar o resultado dos “quizzes” e falar dos homens e das outras mulheres (não necessariamente nessa seqüência). Mas vou mandar a sugestão, acompanhado do estudo do Data Padaria, para a caixa de sugestões deles. O difícil será tirar o aplicativo da versão beta. Os focus groups, compostos apenas por mulheres, dificilmente chegarão a uma definição quanto à “decoração do banheiro virtual” antes de 2025. Superado esse desafio, o monopólio do mercado – e todo o resto – virá como conseqüência .

2 – E os homens?

Nós homens, com nossas mentes simplórias e demandas menos complexas, já fomos atendidos pelo Facebook e temos com o que nos ocuparmos enquanto elas estiverem no “banheiro feminino virtual”: um tal de Mafia Wars.

Recebo convites diários, normalmente de amigos, para participar desse jogo no Facebook. Isso para não mencionar os updates publicados pelo jogo, que são incompreensíveis para os não iniciados na e-famiglia. Não cedi a tentação de aceitar, tanto por já ter distrações virtuais em excesso, como por acreditar que alguns dos que me convidaram não resistiriam a primeira oferta de delação premiada.

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